Studioneves: cerâmica sob medida

Foi da insatisfação com a rotina estressante de uma agência que nasceu o Studioneves, atelier paulista comandado pelos designers Alex Hellmeister e Gabi Neves. Entre 2010 e 2011, após uma temporada fora do Brasil, o casal abriu o negócio com pouco conhecimento do mercado nacional, mas com a bagagem do que viram pela Europa na cabeça: cerâmica para gastronomia, desenvolvida especialmente para restaurantes. Oito anos depois, o Studioneves trabalha na capacidade máxima de produção e atende alguns dos restaurantes mais prestigiados do país, além de chefs no Peru, Japão e Espanha.

Prato do restaurante DEN, de Tóquio. Foto: Rubens Kato

A grande virada aconteceu cerca de quatro anos atrás, quando a cerâmica do Studioneves chegou aos olhos de Alex Atala. Interessado na produção sob medida, o chef do D.O.M procurou o atelier para que reproduzisse uma coleção de pratos industriais em uso no momento. Apesar de serem contra copiar o trabalho de outra empresa, não tiveram como negar; mas pediram a Atala a oportunidade de dar um toque autoral nos pratos, atendendo ao mesmo tempo às necessidades do restaurante. Bastou para que os demais pedidos já viessem com um briefing diferente, com liberdade para criar a moldura dos pratos mais icônicos de seu cardápio.

“Uma coisa que dá muito certo é que toda a produção passa pelas nossa mãos, e a gente não pode perder isso. Nossa limitação é um pouco da graça, pois as pessoas sabem que a gente não é indústria, não é máquina, é tudo feito manualmente”

Gabi é hoje a responsável pela concepção das peças, do briefing ao acabamento, passando pelo desenho; Alex administra a produção, que, nos últimos três anos, esteve no seu limite máximo. Questionados sobre os planos de crescimento, a resposta é clara: a prioridade, agora, é manter. “Uma coisa que dá muito certo é que toda a produção passa pelas nossa mãos, e a gente não pode perder isso. Nossa limitação é um pouco da graça, pois as pessoas sabem que a gente não é indústria, não é máquina, é tudo feito manualmente”, diz Alex.

Prato feito para o Manu (Curitiba), da chef Manoella Buffara. Foto: Rubens Kato.

Uma peça leva entre 45 e 60 dias para ser produzida, mas com a grande procura, já houve uma espera de quase seis meses. E isso tudo é conquistado no boca a boca, através de chefs que entendem a qualidade do produto e a diferença que o design exerce na experiência do cliente. O cenário econômico atual é um desafio para o Studioneves. Apesar da vantagem cambial ser um atrativo para restaurantes de outros países, o alto custo de frete acaba afetando o valor final dos pedidos. Os produtos, claros, não são baratos; e cortar investimentos como esse em períodos de recessão é de praxe. “Dado que estamos num momento ruim da economia, a primeira coisa que as pessoas cortam é entretenimento e restaurante. Com isso, os restaurantes param de querer investir na cerâmica”, explicam. 

Studioneves
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