Plancta: sustentabilidade na prática

Quantos de nós já brincamos com a ideia de tornar as nossas vidas mais sustentáveis, menos consumistas e mais verdes? Quantos de nós colocamos esses planos de lado por não saber por onde começar?

Criada com o intuito de facilitar a transição em direção à sustentabilidade, a Plancta é uma empresa que busca soluções economicamente viáveis para viabilizar ações positivas para o meio-ambiente. Desde famílias que sonham em plantar hortas num pequeno espaço dentro de casa, até uma grande empresa que procura a melhor opção para a instalação de painéis solares: o foco da Plancta é transformar.

Entrevistamos a sócia-fundadora da empresa, Lilian Knijinik. Mestre em desenvolvimento sustentável e Qualidade Total pelo Conservatoire National des Arts et Métiers, de Paris, Lilian também trabalhou na Bureau Veritas Certificação de Paris e como analista de sustentabilidade na Loja Renner em Porto Alegre. Nesta conversa, ela fala sobre as suas inspirações, a influência da capital francesa nos seus projetos e os planos para um futuro mais verde.

De onde surgiu a ideia de fundar a Plancta?

A ideia surgiu da minha própria experimentação e das dificuldades enfrentadas ao sair do discurso sustentável para a prática. Ou seja, a ideia da Plancta é colocar a sustentabilidade na prática. Às vezes esse tema parece meio abstrato, mas queremos trazê-lo para a realidade, através de ações simples, e ajudar indivíduos e empresas a fazer o mesmo. Tem se falado muito no assunto, mas as pessoas e empresas ainda precisam de mais conhecimento para conseguir fazer de fato a sustentabilidade no dia-a- dia. Além disso, a minha vivência realizando projetos sociais ou ambientais desconectados do contexto e dos objetivos das empresas onde trabalhei, me fez perceber a necessidade de conectar os diferentes pilares da sustentabilidade. A partir disto a Plancta vem trabalhando na busca de uma visão mais holística para se atingir um maior potencial dentro do tema, mas consideramos, acima de tudo, que qualquer tipo de ação concreta na direção da sustentabilidade um passo muito importante.

“Pessoas e empresas ainda precisam de mais conhecimento para conseguir fazer de fato a sustentabilidade no dia-a- dia”

Tu passou um tempo em Paris estudando desenvolvimento sustentável, certo? Como tu vê os impactos dos teus estudos e experiências por lá no desenvolvimento da Plancta?

Os meus estudos abriram completamente meus horizontes. Ter tido a oportunidade de estudar desenvolvimento sustentável numa cidade e num país que já tem a sustentabilidade arraigada na sua cultura permitiu uma vivência prática do tema e uma lição de vida que se internalizou em mim. Pude observar que sustentabilidade e educação estão muito ligadas e que caminhar duas quadras num frio de -10 graus pra descartar corretamente garrafas de vidro era o normal lá em Paris. Comecei a pesquisar sobre o tema desenvolvimento sustentável logo após me formar em comunicação e marketing em 2007. Quando pensei em direcionar meus estudos para esse tema, percebi que não existia nenhum mestrado nessa área no Brasil. Em 10 anos a evolução do assunto foi exponencial por aqui. Voltei da França também por perceber um mercado promissor e que, apesar da crise que enfrentamos, cada vez mais há investimento em sustentabilidade e um longo caminho de oportunidades e de ações a serem tomadas.

“Voltei da França também por perceber um mercado promissor”

 

Como tu enxerga o público brasileiro e porto-alegrense no sentido de recepção de ações em prol da sustentabilidade?

Em Porto Alegre percebo que, apesar da sustentabilidade ser um tema estranho ao grande público, muitas pessoas são receptivas ao tema e tem vontade de conhecer e aprender mais sobre o assunto.
Aqui no Brasil não temos um governo que oriente seus cidadãos ou que demande muitas atitudes em prol da sustentabilidade e, por essa omissão do poder público, uma transição para hábitos mais sustentáveis, tanto de empresas quanto de pessoas é um pouco mais lenta. Mesmo assim, as feiras orgânicas da cidade estão cada vez mais cheias e uma simples oficina de horta urbana que realizamos na Virada Sustentável teve a presença de dezenas de pessoas. Noto também um crescente interesse por consumo consciente. Isto tem levado, por exemplo, ao surgimento de diversas empresas de moda que pensam na reutilização, reciclagem e logística reversa, artigos que utilizam materiais alternativos como madeira e bambu. Esse movimento do público porto-alegrense faz com que outras esferas da sociedade tenham que repensar seus objetivos para se adequar à nova realidade.

Que tipos de clientes/parceiros procuram a Plancta? O que buscam exatamente?

O público que nos procura é bastante variado, também por estarmos desenvolvendo propostas para diferentes segmentos. São pessoas antenadas nas questões ambientais e sociais, qualidade de vida e saúde e empresários que procuram a Plancta por, além disso, estarem preocupados em atender uma nova demanda de consumidores ambientalmente conscientes. Atendemos empresas, condomínios e restaurantes que buscam ações sustentáveis, onde realizamos hortas urbanas e compostagem e propomos diagnósticos para outras questões sustentáveis, tendo parceiros para cada solução (coleta de água da chuva, instalação de painéis solares, luminotécnica, gestão de resíduos e outros) sempre mostrando o retorno do investimento. Somos procurados também por pessoas interessadas em aprender a fazer a sua parte pra deixar o mundo um lugar melhor e levar uma vida mais saudável. Por isso, acreditamos que a comunicação e a educação vão permitir às pessoas realizar de fato ações sustentáveis e tirar suas ideias do papel. Estamos realizando a Escola de Horta, que são cursos práticos sobre horta urbana, tanto para adultos quanto para crianças e com variados temas, como hortas em pequenos espaços, em vasos, plantas companheiras, plantas medicinais, PANCS, compostagem, frutíferas em vasos e educação ambiental focada para crianças, onde tentamos trazer conceitos de sustentabilidade e produção de alimentos de forma divertida e interessante.

A loja virtual do site da Plancta promete novidades em breve. Tem como tu nos adiantar quais tipos de produtos vão ser vendidos por lá?

Sim! Já estamos comercializando e introduzindo aos poucos alguns artigos pra hortas para experimentar a demanda, como vasos autoirrigáveis. Em geral, venderemos produtos que complementam as atividades que já realizamos e facilitam para o público interessado ser mais sustentável. Então teremos desde copos dobráveis e duráveis, para evitar a utilização de copos descartáveis de plástico, até artigos de moda em algodão orgânico e outros materiais alternativos às soluções tradicionais que conhecemos.

Plancta

www.plancta.com

facebook.com/plancta

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